Fábio Pacheco                                                                                                               fabiopacheco

Editor de Esportes

 

 

FICA GILENO!

Como jornalista com fortes ligações ao esporte amador e estudantil, tenho por obrigação de dar a minha opinião sobre quem deveria ser o novo coordenador da Codesp. Penso que pelo excelente trabalho que foi desenvolvido nos últimos dois anos, com destaque para 2014, quando, finalmente, depois de muita luta e discussão, conseguiu adequar as idades dos Jerns às Olimpíadas Escolares, que Gileno Souto deveria permanecer no cargo. Ele também foi o responsável por resgatar a força dos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte, fortaleceu a interiorização aumentando o número de dez para 14 regionais, realizando finais de fase em algumas modalidades, um fato inédito e que movimentou o interior do Estado. A gestão foi tão eficaz que Gileno conseguiu arregimentar 44 mil alunos/atletas em 2014, calando a boca de muita gente entendida no assunto que dava como certo o fim dos Jerns. Souto organizou a Codesp a tal ponto que hoje ele tem o respeito de todos os professores e admiração dos alunos e técnicos com a implantação da premiação no calor da vitória. É um desportista nato, que gosta do que faz e agora muito mais experiente como gestor. Sinceramente, se eu fosse o secretário Estadual de Educação, Francisco das Chagas, apostaria no que deu certo, na continuidade do trabalho, pois Gileno ainda tem muito a oferecer ao desporto escolar.

 

 

UM EXEMPLO PARA O RN

Ontem, recebi o diploma de Honra ao Mérito Esportivo da Câmara Municipal de Natal pelos relevantes serviços prestados à cidade do Natal. A homenagem foi por conta do apoio e incentivo ao projeto da Federação Estadual de Karatê Amigos da Escola Norte-Rio-grandense (Fekaen), do meu grande amigo André Calixta, uma figura ímpar no cenário esportivo potiguar. Calixta é o exemplo que o Rio Grande do Norte e o Brasil precisam. É a prova real de que ainda existem pessoas capazes de mudar o mundo. Só pra se ter a exata noção do que estou falando, o humilde professor de karatê fundou a Fekaen no ano de 2000 e hoje atua de forma voluntária em 78 escolas públicas de 12 municípios do Rio Grande do Norte, beneficiando 3,5 mil alunos. Para funcionar conta com a ajuda de ex-alunos que hoje também são voluntários, além de empresários, professores e colaboradores. Durante a homenagem na Câmara Municipal todos esses apoiadores e incentivadores, ao todo 74, foram homenageados. Aí eu pergunto: se Calixta não existisse, isso teria acontecido? Óbvio que não. Que o exemplo nobre deste cidadão comum, mas com um coração imenso, que usa o karatê como uma ferramenta de inclusão social não pare de crescer, que as autoridades públicas deem a ele a chance de ajudar mais cinco, dez, vinte mil crianças, pois só assim conseguiremos construir um Rio Grande do Norte melhor e mais justo.

 

 

 

Um par de tênis pelo amor de Deus

Lá na Escola Estadual Ubaldo Bezerra de Melo, em Ceará-Mirim, depois do incrível feito das alunas/atletas que forma campeãs da etapa dos Juverns em Natal, no mês de setembro, e vice-campeãs dos JERNs no basquete juvenil, agora elas podem ficar de fora da última etapa dos Juverns, no mês de novembro, em Belém do Pará, por conta apenas da falta de tênis. Parece brincadeira, mas não é.
Em pleno século XXI, em que há verba pública para tudo que é problema nesse país, até para comprar botijão de gás, as dez atletas que representarão o estado do Rio Grande do Norte no maior evento do esporte escolar do Brasil, não terão direito a um par de tênis apropriado, que dá estabilidade ao pé, aderência ao piso, garantindo um melhor rendimento em quadra. Vale lembrar que essas mesmas meninas foram medalha de ouro na etapa Natal dos Juverns. Ou seja, já confirmaram que possuem talento e que podem chegar mais longe.
Mas infelizmente, ainda não há políticas públicas no Rio Grande do Norte voltadas para o esporte amador e principalmente a revelação de novos talentos. Está na hora dos nossos políticos começarem pensar a respeito, o que não pode é seguir castrando as expectativas da juventude, que está aí, cheia de energia e potencial, prontas para colocarem o RN no lugar mais alto do pódio. Parabéns ao professor Jorge Liberato pelo trabalho que vem fazendo na escola Ubaldo Bezerra de Melo e fica aqui o telefone dele pra quem quiser doar um tênis basqueteira para alguma das meninas, 9116 3305. 

George Fernandes

Jornalista Esportivo

 

Futebol x TV/violência/ingerência/hipocrisia…

Um time de futebol de areia (ou futsal, como queiram) está vencendo de goleada o tradicional futebol de campo neste início de século 21, no Brasil. TV, violência, ingerência, hipocrisia e outros. Este é o time que, aos poucos, leva o famoso futebol para a zona de rebaixamento. Às portas de uma Copa do Mundo FIFA, o cenário deveria ser outro. No “país do futebol”, título que pouco tem a ver com o Brasil atual, o esporte bretão anda muito mal, obrigado. A TV, por exemplo, vive um caso de amor e ódio. Se por um lado, é a maior fonte de receita dos clubes, a exemplo do futebol inglês, por outro, tem sido responsabilizado pelo vazio das arquibancadas. Mas, a TV (lê-se, Globo ou PFC/PPV), não é o único vilão.

A violência das torcidas (des) organizadas – algumas são praticamente uma facção criminosa -, que conta com a conivência dos clubes (pasmem!), é outro “inibidor de estádios”. Com os jogos passando pela TV, quem é doido de ir ao estádio (com a família e/ou amigos), sem ter a certeza se vai voltar pra casa? Até os mais fanáticos torcedores estão se rendendo. A miopia da cartolagem neste ponto é inexplicável (ou seria explicável?).

E são eles, os cartolas, os grandes vilões da história. Ao praticarem a politicagem, patrocinarem as “organizadas”, venderem seus votos em período eleitoral nas famigeradas federações e Confederação (CBF)… Ao elaborarem um calendário desumano, aceitarem os horários absurdos programados pela TV, manterem o amadorismo na gestão, entre outros.

Não podia faltar, também, os políticos e algumas autoridades, que se utilizam do “craque” hipocrisia (do time citado no início desse texto) para proibir a venda e o consumo de bebida alcoólica nos estádios. A pá de cal. A desculpa esdrúxula é a de que a famosa cervejinha é a maior provocadora das brigas entre torcidas. Ora, tenha santa paciência. Todos nós sabemos (e as autoridades deveriam saber também) que o que incita o terrorismo, o vandalismo e a violência dos bandidos fantasiados de torcedores é a impunidade deste país, a injustiça, a falta de educação – tema para outra discussão acalorada, não tenha dúvida.

A cerveja não tem nada a ver com isso. Futebol não é teatro. Tem mais a ver com balada. É a festa do povo, como diziam os cronistas do passado. E se proíbem o consumo de cerveja nos estádios de futebol dever-se-ia aplicar a mesma regra para boates, bares, shopping, praia… Também são entretenimento como o futebol o é. Até no teatro estão vendendo bebida!

É uma hipocrisia sem tamanho essa tal Lei Seca nos estádios de futebol. E, antes que algum espertalhão, dono da verdade, atire a primeira pedra, não estou fazendo apologia ao álcool. Longe disso. Só pretendo ser justo. O que me deixa mais fulo da vida é que a polícia sabe que a droga que faz a cabeça dos marginais das torcidas organizadas, pivôs da anarquia dentro e fora dos estádios, é a ilícita – maconha, cocaína -, consumida muitas vezes nas arquibancadas.

Quem perde é o futebol. E não só para um time fantasia, de “jogadores” melancólicos. O futebol no Brasil perde espaço para outros esportes. A famigerada luta livre, por exemplo, dos gladiadores do século 21, como insiste em afirmar Galvão Bueno, já alcançam altos índices de audiência. Até o futebol americano vai ganhando espaço. Enquanto isso, somos obrigados a assistir o esvaziamento dos estádios. E pensar que em 2014 o país terá, pelo menos, 15 novas arenas no “Padrão FIFA”. O grande desafio pós-Copa será preencher os espaços cada vez mais vazios das arquibancadas e profissionalizar de fato o futebol brasileiro.